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Cannabis pode abrir novo caminho na prevenção do Alzheimer, aposta estudo da UNILA

by Redação

Pesquisa inédita vai acompanhar voluntários por até 20 anos para avaliar se canabinoides podem retardar ou evitar a doença em pessoas com alto risco genético

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana, a UNILA, iniciou um estudo clínico de longo prazo que pode reposicionar a cannabis medicinal no debate sobre prevenção de doenças neurodegenerativas no Brasil. A pesquisa pretende investigar se o uso prolongado e controlado de canabinoides pode ajudar a prevenir ou retardar o desenvolvimento do Alzheimer em pessoas com maior risco genético.

O projeto, batizado de COONFIA, será conduzido em Foz do Iguaçu e deve acompanhar os participantes por até 20 anos. A proposta é ousada e, segundo os pesquisadores, inédita no campo clínico. O foco são homens e mulheres entre 45 e 65 anos que tenham pai ou mãe com diagnóstico confirmado de Alzheimer, grupo considerado mais vulnerável ao desenvolvimento da doença.

A iniciativa é desenvolvida pelo Laboratório de Cannabis Medicinal e Ciência Psicodélica da universidade. O coordenador da pesquisa, o professor de Farmacologia Francisney do Nascimento, afirma que já existem estudos internacionais que acompanham familiares de pacientes com Alzheimer e pesquisas com canabinoides em pessoas que já apresentam a doença. No entanto, ainda não há ensaios clínicos voltados especificamente à prevenção em indivíduos com predisposição genética elevada.

Os voluntários serão divididos em quatro grupos. Parte receberá extrato com canabidiol e tetrahidrocanabinol em proporções equivalentes, enquanto outro grupo utilizará placebo. Os demais participantes serão acompanhados clinicamente sem intervenção farmacológica. O modelo adotado é randomizado e duplo-cego, padrão considerado essencial para garantir rigor científico e confiabilidade dos resultados.

As avaliações ocorrerão a cada seis meses e incluem consultas médicas, exames laboratoriais com coleta de sangue e líquor, testes cognitivos e questionários sobre qualidade de vida. O estudo também pretende analisar fatores ambientais que possam influenciar o surgimento ou a progressão do comprometimento cognitivo.

A coordenação operacional está sob responsabilidade da biomédica e mestranda Maria Victoria Luz Gonçalves, com supervisão do neurologista Elton Gomes da Silva. A pesquisa conta ainda com parceria da Associação Santa Cannabis e integra o Programa de Pós-Graduação em Biociências da universidade.

Segundo o coordenador, a equipe multidisciplinar, composta por médico, biomédica, biólogos, sanitarista e farmacêutico, assegura rigor metodológico, segurança e acompanhamento integral dos participantes ao longo de todas as etapas do estudo.

Além de pessoas com histórico familiar da doença, também serão recrutados voluntários sem parentes diagnosticados com Alzheimer. A comparação entre diferentes perfis genéticos poderá ajudar a compreender de forma mais ampla o possível papel dos canabinoides na prevenção.

Para participar, é necessário ser alfabetizado e ter disponibilidade para comparecer presencialmente ao campus da UNILA, em Foz do Iguaçu, onde serão realizados exames e entrevistas. Por segurança, não podem se inscrever pessoas com doenças hepáticas ou renais, histórico de psicose ou epilepsia, além de gestantes e lactantes. A participação é gratuita e não remunerada.

As inscrições podem ser feitas por meio do formulário online disponível em https://redcap.link/COONFIA ou pelo WhatsApp (45) 92003-4535. Mais informações também podem ser obtidas no Instagram do laboratório, em @lcp.unila.

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