Recursos do mercado legal vão financiar estudos sobre uso medicinal, envelhecimento, novos canabinoides, impacto ambiental e políticas públicas
Autoridades da Califórnia anunciaram a liberação de quase US$ 30 milhões em subsídios para projetos acadêmicos voltados à pesquisa científica sobre a cannabis. Os recursos, provenientes da arrecadação de impostos do mercado legal da maconha, serão destinados a estudos que abordam desde o uso da substância por pessoas idosas até o potencial terapêutico de novos canabinoides, além de temas como bebidas com THC, sustentabilidade ambiental e participação de comunidades indígenas no setor regulado.
Esta é a terceira rodada de financiamentos do programa estadual, que já soma cerca de US$ 80 milhões investidos em pesquisa desde sua criação. De acordo com o Departamento de Controle de Cannabis da Califórnia, as propostas selecionadas priorizam áreas estratégicas como saúde pública e segurança, produtividade agrícola, políticas estaduais e locais, preferências dos consumidores e impactos ambientais do cultivo legal.
Em comunicado oficial, o órgão destacou que todos os resultados das pesquisas serão disponibilizados gratuitamente ao público, com o objetivo de ampliar o acesso a evidências científicas e fortalecer o debate público sobre a cannabis. Ao todo, 149 projetos foram submetidos à análise, e os critérios de seleção incluíram rigor metodológico, relevância social e potencial de contribuição para o aprimoramento de políticas públicas.
Entre os estudos contemplados estão pesquisas da Universidade da Califórnia em San Diego sobre padrões de consumo e escolha de produtos por adultos mais velhos; da Universidade da Califórnia em San Francisco sobre a farmacologia de bebidas com THC comercializadas no estado; e da Universidade da Califórnia em Davis sobre modelos de cooperação entre o poder público e mercados de cannabis administrados por povos indígenas. Também foram aprovados projetos voltados à investigação de novos canabinoides com potencial terapêutico, segurança neurológica, efeitos de preços e impostos sobre as vendas, produtividade agrícola e caracterização de compostos naturais responsáveis pelo aroma e sabor das flores de cannabis.
Outras iniciativas analisam a exposição de trabalhadores do setor a pesticidas e alérgenos e os benefícios ambientais do licenciamento formal do cultivo, comparando áreas regularizadas e não regularizadas em aspectos como uso da água, preservação de habitats e manejo de insumos químicos. A expectativa do governo estadual é que esses dados subsidiem ações regulatórias mais eficientes e políticas públicas baseadas em evidências.
Rodadas anteriores do programa, realizadas em 2023, tiveram como foco canabinoides alternativos, genética de variedades tradicionais da Califórnia e práticas anticompetitivas no mercado. Paralelamente, o governo estadual também vem destinando recursos da cannabis para programas de reinvestimento comunitário, com foco na reparação dos impactos sociais da proibição.
Desde a legalização, a Califórnia tem utilizado parte da arrecadação do setor para fomentar ciência, inovação e justiça social. Recentemente, o governador Gavin Newsom vetou um projeto que permitiria o envio de cannabis medicinal diretamente a pacientes por transportadoras comerciais, alegando entraves administrativos, mas sancionou leis que facilitam pesquisas com cannabis e suspendem temporariamente o aumento de impostos sobre os produtos no estado.
