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Brasil atrasa debate enquanto mercado global do cânhamo têxtil avança e já movimenta bilhões

by Redação

Seminário inédito em São Paulo reúne especialistas nacionais e internacionais para discutir o potencial econômico e sustentável da fibra no país

Enquanto países como a China já consolidaram cadeias produtivas bilionárias em torno do cânhamo têxtil, o Brasil ainda avança lentamente no debate sobre a regulamentação da fibra. Mesmo diante do potencial econômico e ambiental da planta, o país segue sem regras claras para o cultivo e a produção nacional.

Um levantamento da consultoria Kaya Mind aponta que o setor poderia movimentar cerca de R$ 26,1 bilhões e gerar aproximadamente 117 mil empregos em apenas quatro anos, caso houvesse regulamentação para o cultivo de cânhamo industrial no Brasil.

Com o objetivo de ampliar o debate e conectar o país ao avanço global do setor, o Instituto Fashion Revolution Brasil e a Fibershed Brasil promovem no dia 20 de março o seminário Cânhamo Têxtil: construindo o uso da fibra no contexto brasileiro. O evento será realizado em São Paulo e reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir ciência, produção e os desafios regulatórios da fibra no país.

Considerado uma das fibras mais antigas utilizadas pela humanidade, o cânhamo vem ganhando espaço na indústria têxtil contemporânea por suas propriedades técnicas e ambientais. A fibra é valorizada pela durabilidade, respirabilidade e características antibacterianas.

Quando cultivada de forma orgânica, a planta também apresenta vantagens ambientais importantes. O cânhamo exige pouca água, dispensa pesticidas e contribui para a regeneração do solo, o que o torna uma alternativa mais sustentável em comparação com matérias-primas tradicionais utilizadas na indústria da moda.

Dados da consultoria Data Bridge Market Research indicam que o mercado global de roupas produzidas com cânhamo pode alcançar US$ 81,5 bilhões até 2030. Apesar desse cenário de expansão internacional, o Brasil ainda depende da importação da fibra, principalmente da China, para abastecer as poucas marcas nacionais que já utilizam o material.

Essa dependência eleva custos logísticos e impede o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional capaz de gerar empregos e agregar valor à indústria têxtil brasileira.

Para Bruno Pegoraro, presidente do Instituto Ficus, apoiador do seminário, o cânhamo precisa ser tratado como um tema estratégico para o desenvolvimento econômico do país.

Segundo ele, a discussão não deve se limitar ao aspecto regulatório. O cânhamo representa uma agenda de inovação, sustentabilidade e diversificação produtiva, com aplicações em diferentes setores industriais.

O seminário em São Paulo contará com a participação de especialistas internacionais e brasileiros que atuam no estudo e no desenvolvimento da fibra. Entre os convidados estão os pesquisadores Git Skoglund e Remi Loren, da Suécia, além do brasileiro Sérgio Rocha.

A programação prevê apresentações técnicas sobre o processamento da fibra, suas características físico-químicas e as experiências internacionais de produção. A proposta é conectar o conhecimento global com as possibilidades da agricultura e da indústria têxtil no Brasil.

Para Fernanda Simon, diretora executiva do Instituto Fashion Revolution Brasil, o evento acontece em um momento decisivo para o país.

Ela afirma que, enquanto o mercado global do cânhamo cresce rapidamente, o Brasil ainda enfrenta entraves legislativos que impedem o avanço da cadeia produtiva da fibra.

Segundo especialistas, a ausência de regulamentação para o cultivo de cânhamo industrial no Brasil representa hoje um dos principais obstáculos para o desenvolvimento do setor.

Pesquisadores e representantes da indústria também alertam que, para manter o potencial sustentável da fibra, é fundamental que a produção seja baseada em práticas agroecológicas. Modelos de monocultura intensiva e uso de pesticidas poderiam comprometer os benefícios ambientais associados ao cânhamo.

Rafael Arcuri, presidente da Associação Nacional do Cânhamo Industrial, afirma que a fibra pode desempenhar um papel transformador na indústria da moda.

Segundo ele, o cânhamo reúne inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e potencial de crescimento econômico, podendo contribuir para reduzir a pegada de carbono da indústria têxtil e abrir novas oportunidades produtivas no país.

O seminário será realizado no espaço CIVI-CO, em São Paulo. Interessados podem registrar participação previamente e, após o evento, a gravação das discussões ficará disponível nos canais do Instituto Fashion Revolution Brasil e da Fibershed Brasil.

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