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Apoio à legalização da cannabis cresce no Canadá oito anos após reforma

by Redação

Pesquisa mostra que 65% dos adultos aprovam a política, enquanto temores proibicionistas sobre juventude, consumo problemático e impacto econômico não se confirmaram

Oito anos após a legalização da cannabis em todo o território canadense, o apoio popular à política segue em alta. Uma nova pesquisa do instituto Research Co. revela que 65% dos adultos no país concordam com a legalização da maconha, um aumento de três pontos percentuais em relação ao último levantamento, realizado em 2024.

Apenas 29% dos entrevistados afirmaram ser contrários à medida, enquanto 6% disseram não ter uma opinião formada. O apoio majoritário aparece em todos os recortes demográficos analisados, incluindo regiões e grupos raciais.

O levantamento foi realizado entre os dias 7 e 9 de dezembro de 2025, com 1.002 adultos, por meio de entrevistas online, e tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

Os dados também ajudam a desmontar um dos principais argumentos do proibicionismo: a ideia de que a legalização estimularia o consumo indiscriminado. Segundo a pesquisa, 49% dos canadenses nunca usaram cannabis. Outros 36% relataram ter consumido antes da legalização, e apenas 15% afirmaram ter iniciado o uso após a mudança na lei, em outubro de 2018.

Entre aqueles que consomem, a maioria passou a recorrer ao mercado regulado. Quase metade afirmou adquirir a totalidade do produto em lojas licenciadas, enquanto outros 30% disseram comprar a maior parte ou parte em estabelecimentos legais. Apenas 16% declararam obter toda a cannabis fora do sistema regulado, indicando um enfraquecimento consistente do mercado ilegal.

Apesar do amplo apoio à cannabis, os canadenses não demonstram entusiasmo com a legalização de outras substâncias. A aprovação para MDMA é de 14%, para cocaína em pó 12%, crack 10%, metanfetamina 10%, heroína 9% e fentanil 9%, mostrando que a população diferencia claramente políticas de regulação responsável de propostas de liberação irrestrita.

Outro dado relevante diz respeito ao mercado de trabalho. Para 64% dos entrevistados, empresas deveriam poder realizar testes de drogas em funcionários para detectar o uso de cannabis. A concordância atravessa todo o espectro político, incluindo eleitores conservadores, liberais e social-democratas.

Em paralelo, cresce o reconhecimento do papel econômico da cannabis legal. Pesquisa divulgada no ano passado apontou que 59% dos canadenses consideram o setor um componente importante da economia nacional, percentual superior ao registrado em 2024. O número chega a 69% entre eleitores liberais e 58% entre conservadores.

Estudos recentes também vêm contrariando previsões alarmistas feitas antes da legalização. Pesquisas indicam que o consumo entre jovens caiu após a mudança na lei, enquanto as taxas de uso diário ou quase diário entre adultos e adolescentes permaneceram estáveis ao longo dos últimos seis anos. Outro levantamento identificou queda nas vendas de cerveja, sugerindo uma substituição parcial do álcool pela cannabis, com possíveis efeitos positivos sobre a saúde pública.

No conjunto, os dados reforçam que a legalização, longe de provocar o colapso social tantas vezes anunciado por setores proibicionistas, vem se consolidando como uma política pública estável, com apoio crescente, redução do mercado ilegal, geração de empregos e impacto neutro ou positivo sobre padrões problemáticos de consumo.

Para o Canadá, a cannabis deixou de ser tratada como caso de polícia e passou a ser vista, cada vez mais, como questão de saúde, regulação e economia. E a população parece confortável com essa escolha.

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