Medida deve abrir caminho para financiamento federal de estudos sobre PTSD e lesões cerebrais, com foco em veteranos
O presidente Donald Trump avalia editar, ainda nesta semana, um decreto executivo para ampliar a pesquisa sobre a ibogaína, substância psicodélica que tem sido estudada por seus potenciais efeitos terapêuticos. A iniciativa, segundo informações divulgadas pela CBS News, não prevê neste momento a reclassificação da substância, que segue enquadrada como droga de alto risco sem uso médico reconhecido na legislação federal.
A proposta, no entanto, pode abrir caminho para o financiamento público de estudos científicos voltados ao tratamento de transtornos como estresse pós-traumático (PTSD), lesões cerebrais traumáticas e dependência química, especialmente entre veteranos militares. O objetivo declarado é avaliar, com base em evidências, se a ibogaína representa uma alternativa terapêutica válida ou se seus efeitos foram superestimados.
Extraída de uma planta africana, a substância vem sendo utilizada de forma não regulamentada em clínicas, principalmente no México, por pessoas que buscam tratamento para dependência de drogas e traumas psicológicos. Pesquisas preliminares e relatos clínicos indicam resultados promissores, embora ainda faltem estudos amplos e controlados que comprovem sua eficácia e segurança.
O movimento da Casa Branca ocorre em paralelo a iniciativas estaduais e federais que buscam avançar no campo das terapias psicodélicas. No estado do Texas, por exemplo, autoridades já anunciaram um programa próprio de pesquisa com ibogaína, após dificuldades em atrair empresas privadas para liderar os estudos.
A discussão também ganha força dentro do governo federal. O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., afirmou recentemente que há interesse em criar um caminho regulatório para o uso terapêutico de substâncias psicodélicas, com protocolos controlados voltados principalmente para pacientes com transtornos mentais e militares afetados por traumas.
Segundo Kennedy, a intenção é acelerar tanto a pesquisa quanto o acesso, dentro de critérios médicos rigorosos. Ele mencionou substâncias como psilocibina e MDMA como parte desse movimento mais amplo de reavaliação das políticas de drogas nos Estados Unidos.
No Congresso, parlamentares de diferentes partidos também têm se mobilizado. Um projeto em tramitação prevê o investimento anual de US$ 30 milhões na criação de centros de excelência voltados à pesquisa com psicodélicos dentro do sistema de saúde de veteranos, ampliando o acesso a tratamentos inovadores.
A eventual assinatura do decreto por Trump reforça uma mudança gradual na abordagem institucional sobre substâncias historicamente proibidas. Ainda que a ibogaína permaneça classificada como droga de alto risco, o avanço das pesquisas pode influenciar futuras decisões regulatórias e abrir espaço para novas estratégias terapêuticas em áreas onde os tratamentos convencionais têm alcance limitado.
