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Cannabis medicinal ganha espaço no cuidado à saúde mental de jovens

by Redação

Com alta de ansiedade e depressão entre adolescentes, especialistas defendem acesso responsável ao canabidiol como estratégia complementar de tratamento

A ansiedade e a depressão estão entre os transtornos mentais mais prevalentes entre adolescentes e jovens adultos em todo o mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que um em cada sete adolescentes convive com algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão os quadros mais frequentes. O impacto ultrapassa a juventude e pode comprometer desempenho escolar, relações sociais e qualidade de vida ao longo da vida adulta.

No Brasil, o cenário é igualmente preocupante. Segundo a OMS, o país apresenta uma das maiores taxas de transtornos de ansiedade do planeta, atingindo cerca de 9,3% da população. A depressão afeta aproximadamente 5,8% dos brasileiros. Especialistas alertam que muitos desses quadros começam ainda na adolescência e seguem sem diagnóstico ou tratamento adequados, revelando falhas históricas no cuidado em saúde mental.

Diante desse contexto, cresce o debate sobre estratégias terapêuticas complementares, especialmente para jovens que não respondem de forma satisfatória aos medicamentos convencionais ou que enfrentam efeitos adversos significativos. Nesse cenário, o canabidiol, composto não psicoativo da Cannabis sativa, tem ganhado relevância nas discussões clínicas.

O CBD atua no sistema endocanabinoide, responsável por regular funções como humor, sono, estresse e respostas emocionais. Embora não seja considerado tratamento de primeira linha para depressão, evidências científicas e relatos da prática médica apontam benefícios no manejo de sintomas de ansiedade quando há prescrição e acompanhamento profissional.

“Hoje o canabidiol pode ser considerado uma alternativa terapêutica segura e bem tolerada para determinados quadros de ansiedade, inclusive em jovens. Quando corretamente indicado, pode auxiliar na redução da ansiedade, na melhora do sono e no controle do estresse, com perfil de efeitos adversos geralmente mais favorável. O essencial é a avaliação individualizada e o acompanhamento médico contínuo”, afirma o psiquiatra André Basso.

Entre as situações clínicas em que a cannabis medicinal pode ser avaliada estão transtornos de ansiedade persistentes com resposta insuficiente aos tratamentos convencionais, crises de pânico que impactam a rotina, distúrbios do sono associados à ansiedade, quadros de depressão resistente como terapia complementar e apoio na retirada gradual de benzodiazepínicos e hipnóticos.

No Brasil, o debate sobre o uso medicinal da cannabis avançou nos últimos anos com regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que estabeleceram critérios sanitários para prescrição, importação e comercialização de produtos à base de canabinoides. As normas exigem controle de qualidade, rastreabilidade e prescrição médica, ampliando o acesso dentro de parâmetros técnicos.

Para Michele Farran, empresária e sócia da primeira farmácia do país dedicada exclusivamente à pronta entrega de produtos com canabidiol, o avanço regulatório representa um passo importante para a consolidação do cuidado responsável. “O aumento dos casos de ansiedade e depressão entre jovens exige soluções baseadas em ciência e acesso seguro. O canabidiol não é indicado para todos, mas quando bem prescrito e acompanhado pode ser um aliado relevante na saúde mental. A regulamentação permite que esse tratamento chegue à população de forma ética e transparente”, afirma.

Em meio ao crescimento dos transtornos emocionais entre adolescentes e jovens adultos, especialistas defendem que ampliar o acesso a terapias baseadas em evidências, incluindo a cannabis medicinal, é também uma questão de saúde pública. O desafio está em garantir informação qualificada, prescrição responsável e políticas que priorizem o cuidado, e não o estigma.

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