Espaço no Setor Comercial Sul atenderá até 50 novos pacientes por mês, com foco em pessoas inscritas no CadÚnico e acesso gratuito a consultas e medicamentos
A Associação Brasileira do Pito do Pango (Abrapango) inaugurou a primeira clínica de cannabis medicinal do Distrito Federal com atendimento exclusivo para pessoas em situação de vulnerabilidade econômica inscritas no CadÚnico. O espaço, localizado no Setor Comercial Sul, começa a funcionar em fevereiro e terá capacidade para acolher até 50 novos pacientes por mês. As inscrições para a triagem já estão abertas.
A iniciativa é comemorada pela diretoria da associação como um marco para a democratização do acesso à terapêutica canabinoide no DF, historicamente restrita a quem pode arcar com altos custos médicos e burocráticos.
Segundo a diretora executiva da Abrapango, Mônica Barcelos, a clínica nasce para enfrentar uma desigualdade estrutural no acesso à cannabis medicinal no Brasil.
“Temos percebido que a comunidade mais carente continua desassistida quando a gente fala de cannabis medicinal, seja porque não consegue manter a rotina de consultas necessárias, seja porque sequer tem acesso a um médico que entenda da terapêutica”, afirma.
Os atendimentos serão realizados presencialmente, com possibilidade de consultas on-line, e inicialmente contemplarão apenas moradores do Distrito Federal.
De acordo com o presidente da Abrapango, Ítalo Nascimento, o programa terá indicação para diferentes condições clínicas.
“Em um primeiro momento, serão acolhidas patologias como Transtorno do Espectro Autista, Alzheimer, Parkinson, quadros de ansiedade, depressão, transtornos pós-traumáticos e dores crônicas”, explica.
Para participar, é obrigatório estar inscrito no Cadastro Único do governo federal. Após o preenchimento do formulário de inscrição, o paciente aguarda contato da assistente social e passa por uma entrevista para avaliação dos critérios de vulnerabilidade. Os aprovados ingressam no programa como associados da Abrapango, com isenção total da taxa anual de R$ 120, além de descontos integrais em consultas médicas, que normalmente variam de R$ 250 a R$ 600, e nos medicamentos, cujos valores costumam ficar entre R$ 390 e R$ 700.
A abertura da clínica ocorre em um momento de forte expansão do setor no país. Segundo a consultoria Kaya Mind, o mercado brasileiro de cannabis medicinal movimentou R$ 971 milhões em 2025, crescimento de 13,84% em relação ao ano anterior. Atualmente, cerca de 873 mil brasileiros utilizam derivados da planta para fins terapêuticos.
Para a Abrapango, a nova clínica também representa um posicionamento político e social diante das barreiras impostas pelo modelo proibicionista, que encarece tratamentos, limita a formação de profissionais e empurra milhares de pacientes para a judicialização ou para a informalidade.
Ao estruturar um serviço voltado à população de baixa renda, a associação aposta na cannabis medicinal como política de saúde pública, inclusão e redução de desigualdades, não como privilégio de poucos.
